O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Governo de Pernambuco celebraram, na terça-feira (30), obras de restauração da Igreja Abacial do Mosteiro de São Bento e da Igreja de São Pedro Mártir de Verona, em Olinda (PE), realizadas no âmbito do Novo PAC, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Os dois templos reabriram ao público após intervenções de conservação e restauro que receberam investimentos de R$ 16,4 milhões e R$ 1,4 milhão, respectivamente.
Durante a cerimônia, o Iphan também anunciou o início das obras do futuro Centro de Interpretação do Patrimônio Mundial, que contará com R$ 7,78 milhões do Novo PAC, em parceria com a Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM). E apresentou para o imenso público presente o livro Mosteiro de São Bento de Olinda – O patrimônio cultural no Novo PAC, terceiro volume da Coleção Restauro, que o Instituto vem publicando sobre a restauração de bens tombados emblemáticos no País.
O evento contou com a presença do presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão; da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra; do superintendente do Iphan em Pernambuco, Fred Brennand; do Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson; do presidente da OCBPM, Mário Ribas; do vice-prefeito de Olinda, Francisco Carvalho da Silva Neto, e de outras autoridades.
Parcerias e grandes realizações
O presidente do Iphan destacou que a restauração da Igreja do Mosteiro de São Bento representa um exemplo de como a preservação do patrimônio cultural é resultado da articulação entre diferentes instituições. “Restaurar um monumento como este exige equipes altamente qualificadas, gera emprego, renda e desenvolvimento e devolve à sociedade um bem que é uma referência da identidade e da memória de Olinda e de Pernambuco”, afirmou Gusmão. “É também devolver à sociedade uma verdadeira obra de arte construída pelo trabalho e pelo conhecimento da população negra, que ergueu este templo. Preservar esse patrimônio é preservar essa memória”, completou.
A presidente da Fundarpe, Renata Borba, ressaltou que Pernambuco vive “o maior canteiro de obras de restauração da sua história”. “Em apenas 18 meses, conseguimos reabrir a Igreja Abacial do Mosteiro de São Bento. Hoje temos muitas obras de restauração, fruto de um trabalho transversal entre diferentes secretarias e da parceria com o Iphan. Grandes realizações só acontecem quando reunimos muitas pessoas competentes”, destacou.
Já o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson, destacou a importância da parceria entre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Iphan na preservação do patrimônio religioso brasileiro. “Temos uma grande responsabilidade na preservação de muitos patrimônios culturais do Brasil. Queremos restaurar, mas também preservar. É preciso criar uma cultura permanente de cuidado com esses bens”, afirmou.
Um trabalho complexo e meticuloso
Fundado no final do século XVI, o Mosteiro de São Bento de Olinda é um dos mais importantes conjuntos beneditinos do Brasil e uma das principais referências da arquitetura e da arte barroca nacional. Com cerca de 37 mil metros quadrados, o complexo reúne a Igreja, o Mosteiro e edificações anexas, integrando o Sítio Histórico de Olinda, reconhecido como Patrimônio Mundial Cultural pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
As obras de restauração tiveram início em novembro de 2024 e envolveram tanto a recuperação da estrutura da igreja quanto do seu rico conjunto artístico integrado. Os serviços incluíram intervenções na cobertura, alvenarias e fundações, tratamento de infiltrações, combate aos cupins, instalação do sistema de prevenção e combate a incêndio e recuperação das pinturas, esculturas, da talha dourada e policromada e de outros elementos decorativos.
Os trabalhos se basearam em pesquisas históricas, análises laboratoriais, estudos cromáticos e investigações das diferentes camadas de pintura. Entre as intervenções realizadas estão a restauração das seis tribunas e dos dois púlpitos da nave, da capela-mor e de diversos elementos entalhados, dourados e policromados, além de procedimentos de limpeza, consolidação estrutural, imunização da madeira e reintegração de áreas danificadas.
Uma das principais descobertas ocorreu durante a restauração do forro do nártex, espaço localizado entre a porta de entrada e a nave principal. Sob três camadas de tinta branca aplicadas ao longo dos séculos, a equipe técnica identificou e recuperou uma pintura original do século XVIII, revelando novamente a composição barroca do ambiente.
A restauração mobilizou uma equipe de cerca de mais de 40 profissionais especializados, entre conservadores-restauradores, marceneiros e entalhadores. Além da recuperação das pinturas históricas, os trabalhos enfrentaram desafios relacionados à umidade, infiltrações, ataque de cupins e degradação natural dos materiais, exigindo soluções técnicas específicas para garantir a preservação e a autenticidade do monumento. Um trabalho complexo e meticuloso que está registrado no livro Mosteiro de São Bento de Olinda – O patrimônio cultural no Novo PAC, terceiro volume da Coleção Restauro, criada pelo Iphan para documentar as principais intervenções realizadas pelo órgão no âmbito do Novo PAC.
Organizada pela jornalista Marina Simon, do Departamento de Ações Estratégicas e Intersetoriais (DAEI) do Iphan, a obra reúne textos da historiadora Josena Ribeiro e da jornalista Cleide Santos, da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). O projeto gráfico é de Carlos Drummond e a diagramação de Ricardo Melo. A edição contou ainda com contribuições técnicas das equipes da Fundarpe e da Grifo Diagnóstico e Preservação de Bens Culturais, além do apoio da Cepe.



