“Sou sertanejo, mas saí cedo de casa para estudar na capital. Vivi, estudei e trabalhei em Recife, uma cidade que carrego no coração, assim como minha terra natal. E foi vivendo Pernambuco que acompanhei de perto a trajetória do nosso brega.
Independentemente do gosto musical ou da classe social, é impossível negar: o brega é uma das grandes expressões da identidade popular pernambucana. É música, cultura, comportamento, periferia, sentimento e pertencimento.
Desde os meus 14 anos, lembro de acompanhar, na hora do almoço, os programas da televisão pernambucana e ver aquelas bandas e artistas que faziam parte do cotidiano do nosso povo. Entre eles, uma Priscila Senna ainda muito jovem.
A gente viu aquela menina começar, crescer, conquistar Pernambuco, ganhar o Nordeste e alcançar o Brasil.
Por isso, vê-la hoje no Rock in Rio tem um significado que vai muito além de gostar ou não de brega.
É ver uma manifestação genuinamente popular de Pernambuco ocupando um dos maiores palcos da música brasileira. É ver nossa cultura atravessando fronteiras sem precisar deixar de ser quem é.
Cultura não é apenas aquilo que tradicionalmente foi chamado de erudito. Cultura é também aquilo que nasce do povo, que conta sua história, traduz seus sentimentos e cria identidade.
Hoje é dia de celebrar Priscila Senna, o brega pernambucano e, acima de tudo, Pernambuco.
De quem acompanhou essa história lá atrás, fica um orgulho danado de ver até onde ela chegou.






