Os vinhos produzidos no Nordeste têm ganhado cada vez mais espaço no mercado nacional, impulsionado pelo aumento produtivo na região, que hoje é a segunda maior do país. Segundo Anuário do Vinho 2026, divulgado no início de setembro pelo Ministério da Agricultura (MAPA), em 2025 os estabelecimentos nordestinos produziram 22,67 milhões de litros, o equivalente a 7,32% do volume nacional.
O Anuário aponta que o Nordeste possui apenas 32 vinícolas distribuídas nos estados de Pernambuco, Bahia, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe, mas os produtores nordestinos conseguiram produzir em média 708,46 mil litros por vinícola em 2025. No Sul, a média por estabelecimento foi de 354,47 mil litros, e no Sudeste, de 102,3 mil litros por vinícola.
A região Nordeste ainda possui menos vinícolas que o Sul, o maior produtor de vinho do país, que produziu no ano passado 271,87 milhões de litros, ou 87,77% do total nacional. No Brasil, a produção declarada alcançou 309,74 milhões de litros.
Enoturismo e mercado interno ampliam potencial de consumo de vinho
O presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), Jones Valduga, conversou com o Movimento Econômico e disse que vê com entusiasmo o crescimento da produção de vinhos em diversas regiões do país e destacou a importância do crescimento da produção nordestina.
Ele chamou atenção para o crescimento da produção na região do Vale do São Francisco, em Pernambuco, e na região da Chapada Diamantina, na Bahia, que concentra as vinícolas baianas.
“É interessante ver produtores em diferentes climas produzindo vinhos, diferentes terroirs. O Vale do São Francisco, por exemplo, é interessante observar a quantidade de players que apostam na vitivinicultura e isso é muito bom para o mercado”, disse.

Jones chama atenção também para a qualidade dos vinhos produzidos no país, como os espumantes nordestinos e outros vinhos finos de produtores de outras regiões do país, que são fruto da visão empreendedora de produtores e que qualificam o mercado brasileiro para oferecer produtos com cada vez mais qualidade.
Ricardo também vê espaço para o avanço do enoturismo no Vale do São Francisco, mas aponta a conectividade aérea com Petrolina como um dos fatores que interferem no fluxo de visitantes vindos de outras regiões do país.
Segundo ele, a oferta de voos varia ao longo dos anos e influencia diretamente o volume de turistas que chegam ao destino. Atualmente, a Botticelli não mantém operação de enoturismo aberta ao público, mas prepara uma nova estrutura para receber visitantes.
“Nós estamos na implantação de um projeto que deve começar a ser executado no primeiro semestre de 2027, com receptivo novo e uma loja dentro dos padrões internacionais”, afirmou.



