Aos 80 anos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25/10) para seu quarto mandato como presidente da República. Com 99,99% das urnas apuradas, o petista recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL), e continuará no Palácio do Planalto até 2030.
A votação foi marcada pela confusão nas últimas horas, com relatos de eleitores enfrentando dificuldades de locomoção em diversas cidades do país. Isso levou a uma inédita prorrogação do horário de votação em duas horas após decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele atendeu a pedido da campanha de Lula, que pediu a prorrogação em todo o país.
Após dúvidas quanto às condições de cumprir a decisão em meio ao fechamento de urnas no horário original das 17h, Zanin esclareceu que a decisão valia apenas para aquelas seções em que as urnas ainda estavam abertas. A incerteza cresceu devido ao silêncio do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.
O resultado representa uma virada história. O presidente ficou atrás no primeiro turno, com 45,16% dos votos válidos, enquanto o senador obteve 47,03%, com cerca de 2,2 milhões de votos a mais. Nunca antes um candidato à frente no primeiro turno havia perdido no segundo.
A vitória encerra a eleição presidencial mais disputada da história. Também transforma Lula no primeiro presidente brasileiro eleito democraticamente para quatro mandatos. O resultado consolida a trajetória política iniciada pelo petista nas greves dos metalúrgicos do ABC Paulista, no fim dos anos 1970, e que já atravessou quatro décadas de disputas eleitorais. Neste pleito, Lula repetiu a dobradinha da última eleição e será reconduzido ao Planalto junto com o seu atual vice, Geraldo Alckmin (PSB).
O desafio do quarto mandato
A vitória não encerra os desafios que marcaram a campanha. Lula chega ao quarto mandato diante de um país ainda polarizado e terá pela frente a tarefa de transformar as promessas apresentadas durante a eleição e as pendências do seu terceiro governo em realidade.
Na economia, o governo Lula 4 terá de conciliar a ampliação de políticas sociais e dos investimentos públicos com a necessidade de manter as contas públicas sob controle. A trajetória da dívida bruta, dos juros, da inflação, do emprego e da renda será determinante para a capacidade de Lula sustentar sua agenda econômica.
No Congresso, a relação com deputados e senadores será outro desafio central. O resultado do primeiro turno ampliou a força da direita no Legislativo. O PL elegeu 121 deputados federais, a maior bancada da Câmara, e 19 senadores, chegando a uma bancada projetada de 28 integrantes no Senado a partir de 2027.
O presidente terá de construir uma base capaz de aprovar as propostas de seu governo em um Legislativo que, nos últimos anos, ampliou sua influência sobre o Orçamento e consolidou uma atuação mais independente do Planalto.
A agenda defendida pelo petista combina a ampliação de políticas sociais com novas bandeiras, como educação em tempo integral, redução da jornada de trabalho, acolhimento da população idosa e desenvolvimento tecnológico. Na economia, a defesa da soberania nacional e da exploração de minerais estratégicos deverá continuar ocupando espaço central.






