Carlos Augusto Montenegro, que esteve à frente do Ibope por mais de quatro décadas, avalia que as pesquisas eleitorais podem estar subestimando a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aos 72 anos, o empresário, hoje aposentado do setor, questiona a capacidade dos institutos de retratar com precisão o comportamento do eleitorado brasileiro.
Em entrevista ao Brazil Journal, Montenegro afirmou que levantamentos que apontam uma disputa de 51% a 49% podem esconder uma diferença maior. Na avaliação dele, o cenário poderia estar mais próximo de 53% a 47% favoravelmente a Flávio Bolsonaro.
Dificuldades nas pesquisas eleitorais
Segundo Montenegro, um dos principais desafios dos institutos é conseguir entrevistar diferentes perfis de eleitores. Ele aponta que a polarização política, a resistência de parte da população em responder aos pesquisadores e as dificuldades de acesso a determinadas comunidades podem comprometer a coleta de informações.
O ex-presidente do Ibope também destaca limitações das pesquisas telefônicas, como cadastros desatualizados e dificuldades para alcançar determinados grupos durante o dia.
Na avaliação dele, as discrepâncias observadas em eleições anteriores reforçam a necessidade de rever metodologias e buscar novas formas de medir a opinião pública.
Desgaste do governo Lula e avanço da centro-direita
Montenegro atribui o possível favoritismo de Flávio Bolsonaro a fatores que vão além dos números das pesquisas. Para ele, o fortalecimento da centro-direita e a avaliação negativa do governo Lula podem influenciar diretamente o comportamento dos eleitores.
O empresário também aponta o custo de vida como um dos fatores de desgaste do governo federal. Segundo sua análise, a população sente os efeitos dos preços dos alimentos e das despesas cotidianas, o que pode ampliar a insatisfação com a administração pública.
Na entrevista, Montenegro afirma que o eleitor costuma buscar mudanças quando percebe dificuldades econômicas e não está satisfeito com a situação atual. Ele ressalta, ainda, que nem sempre as manifestações de rua refletem a decisão da maioria, destacando a importância do chamado eleitor silencioso, que não participa de atos políticos, mas tem peso decisivo nas urnas.
Transferência de votos e cenário eleitoral
Outro ponto destacado por Montenegro é a transferência de votos dos candidatos derrotados no primeiro turno. Segundo ele, os candidatos de centro-direita que não avançaram na disputa somaram aproximadamente nove milhões de votos, um contingente que pode influenciar o resultado da etapa seguinte.
O empresário considera que esse eleitorado precisa ser analisado com atenção, embora reconheça que nem todos os votos serão direcionados a Flávio Bolsonaro.
Montenegro também avalia que a polarização entre os grupos ligados ao bolsonarismo e ao lulismo dificulta mudanças significativas de posicionamento entre os eleitores. Na visão dele, um debate eleitoral ou um escândalo de última hora dificilmente levaria uma parcela expressiva de eleitores a migrar diretamente de um campo político para o outro.
Projeções para o futuro da direita
Ao comentar o cenário político de 2030, Montenegro afirmou acreditar que a centro-direita continuará exercendo influência no país, embora considere possível uma redução gradual do protagonismo da família Bolsonaro dentro desse campo político.
Ele citou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como um possível nome de destaque para a próxima disputa presidencial, avaliando que o cenário poderá ser diferente daquele observado na eleição atual.
Apesar de demonstrar confiança na possibilidade de uma vantagem maior de Flávio Bolsonaro, Montenegro reconhece que uma eleição exige cautela e que o resultado depende de diversos fatores.
As avaliações de Montenegro representam sua interpretação pessoal do cenário eleitoral e não substituem os resultados das pesquisas divulgadas pelos institutos. A possibilidade de uma diferença maior entre os candidatos é uma projeção do empresário, e não um resultado eleitoral confirmado.






