Separados por cerca de 2,2 milhões de votos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno, no próximo dia 25, com a menor diferença desde a redemocratização. Na busca pela vitória, os candidatos focam em diferentes estratégias de campanha para alcançar novos eleitores.
Eleição polarizada não significa que as eleições estão decididas antes do dia 25. Ainda que grande parte do eleitorado confirme no segundo turno o voto que deu no primeiro, a porcentagem de eleitores indecisos, embora pequena, é significativa para a definição do resultado. Para especialistas, é nela que os estrategistas das duas campanhas precisam se concentrar.
Também deve-se levar em conta os eleitores que não foram votar, cerca de 33 milhões de pessoas —abstenção recorde.
O que Flávio precisa fazer?
O senador precisa focar nos votantes indecisos e eleitores de outros candidatos. “A estratégia de Flávio Bolsonaro é a de quem está à frente: consolidar seu campo político, reduzir a rejeição e evitar erros”, explica Alessandro Costa, cientista político e professor de direito eleitoral. Para isso, o candidato do PL precisa se aproximar e formar alianças com dirigentes políticos e seus respectivos eleitorados, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que confirmaram apoio ao candidato no segundo turno.

O senador chega ao segundo turno em ligeira alta nas pesquisas, o que costuma indicar que a opinião pública está se movendo a favor dele. Parte de quem votou em Zema e em Caiado tende a migrar para o campo bolsonarista, e isso abre espaço para mais alguns pontos.
Gilberto Musto, consultor político e mestre em ciência política
O desafio de Flávio é segurar os eleitores que migrarem após o primeiro turno até o dia 25. Para os especialistas, este é o momento de Flávio frear os discursos extremistas —como as menções ao pai e ao 8 de Janeiro— e “mostrar que tem condições de equilibrar o país e deixar claro que uma vitória dele não significará perseguição a adversários”, afirma Gilberto.
O maior risco da direita é “parecer insensível” à dependência da população aos serviços públicos e programas de renda. Por este motivo, Flávio precisa esclarecer seus compromissos com os programas sociais, “com a garantia de que quem mais precisa continuará protegido pelo Estado”, explica Musto.
O senador deve reforçar a ideia que é uma oposição ao governo atual. Especialistas apontam que manter a disputa centrada na ideia de mudança em contraposição a um quarto mandato de Lula é importante para o candidato, mas que o desafio é “transformar essa disposição pela mudança em confiança no seu próprio projeto”
O caminho para Flávio é transformar o debate da segurança em prioridade.
O que Lula precisa fazer?
Lula deve mobilizar quem não compareceu às urnas. Cerca de 33 milhões de pessoas não foram votar no primeiro turno, e, para os especialistas, esse é o caminho “com mais chance” para o presidente, que deve focar especialmente nas abstenções no Nordeste, onde se encontra o maior eleitorado de Lula. O mestre em comunicação Lucas Jansen afirma que “virar esses votos demanda uma ação muito individual, devendo contar com os ativistas”.

Isso exige mensagens específicas para esse público e articulação com governadores, prefeitos e lideranças locais que apoiam sua candidatura. O desafio é transformar apoio potencial em participação efetiva no segundo turno.
Alessandro Costa, cientista político e professor de direito eleitoral
A reconquista do eleitor moderado também pode ser decisiva. Costa também defende que Lula aumentará suas chances “se conseguir apresentar os riscos que atribui ao projeto do adversário, oferecer respostas às preocupações do eleitor”, principalmente no Sudeste, em estados como São Paulo e Minas Gerais, os maiores colégios eleitorais do país.
É necessário que Lula amplie o debate para fora do seu eleitorado. Isso inclui apresentar posicionamentos novos, sustentados por argumentos concretos e apresentar a disputa como “uma escolha entre segurança e risco: destacar sua experiência de governo, os programas conhecidos e a previsibilidade de sua gestão, ao mesmo tempo que questiona quais mudanças Flávio pretende implementar”, reforça Alessandro Costa.
Vai vencer em 25 de outubro quem souber aproveitar melhor o tempo de televisão, apresentar parceiros de peso, com credibilidade real em suas áreas, e convencer o eleitor de que equilíbrio e estabilidade são a prioridade para o Brasil.
Gilberto Musto, consultor político e mestre em ciência política.






