Mesmo após entregar uma Análise Custo-Benefício ao Tribunal de Contas da União (TCU) em julho e ver o tribunal manter suspensa a execução física das obras, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) voltou nesta terça-feira (11), em Brasília, ao gabinete do relator do processo, ministro Jhonatan de Jesus, para defender a retomada do trecho Salgueiro-Suape da Ferrovia Transnordestina, em Pernambuco. O superintendente Francisco Alexandre apresentou estudo que estima em R$ 4,76 bilhões o retorno social da conclusão da ferrovia, cujas obras estão paralisadas há dez anos e que acumula apenas 179 km concluídos dos 544 km projetados.
O documento, elaborado com base na metodologia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), calcula uma Taxa de Retorno Econômico (TRE) de 15,53%. O indicador utilizado, o Valor Social Presente Líquido (VSPL), mede os efeitos do empreendimento sobre a sociedade, não apenas a rentabilidade financeira. A análise incorpora a redução dos custos logísticos, a diminuição de acidentes rodoviários, a redução das emissões de gases de efeito estufa, a economia de despesas públicas com infraestrutura rodoviária e o fortalecimento da integração produtiva do Nordeste.
“Nosso objetivo é oferecer elementos técnicos, com base em dados atualizados e na perspectiva do interesse público”, afirmou Francisco Alexandre após a reunião desta terça-feira, segundo a Sudene.
Impasse no TCU trava início das obras da Transnordestina em PE
Em 15 de julho, o TCU acolheu parcialmente embargos de declaração ao Acórdão nº 1.217/2026 e autorizou a assinatura de contratos de licitações já concluídas e atividades preparatórias, como projetos de engenharia e licenciamentos. O tribunal, porém, manteve suspensa a emissão de ordens de serviço para a execução física, condicionando-a à comprovação da viabilidade e dos benefícios socioeconômicos do empreendimento. Entre os fatores considerados pelo TCU estavam estudos anteriores que indicaram baixa atratividade econômica do projeto, a necessidade de recursos públicos adicionais, a concorrência com o ramal cearense da ferrovia e limitações técnicas e orçamentárias para a execução da obra.
A Sudene já havia encaminhado o estudo ao TCU em 13 de julho, dois dias antes do julgamento. A análise estima impacto de R$ 8,23 bilhões no Valor Adicionado Bruto (VAB) durante a implantação e acréscimo de cerca de R$ 910 milhões por ano na fase de operação. O levantamento também projeta capacidade para movimentar até 24 milhões de toneladas de cargas por ano, geração de aproximadamente 13 mil empregos na implantação e cerca de 9,6 mil postos permanentes na operação.
A ida ao gabinete do relator é a mais recente de uma sequência de ações da autarquia para tentar destravar as obras. Em 7 de julho, a Sudene e a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) apresentaram estudo conjunto sobre a viabilidade econômica do trecho, como publicado pelo Movimento Econômico. Segundo o TCU, caso os estudos comprovem a viabilidade socioeconômica do trecho Salgueiro-Suape, a restrição será superada e o início da execução física poderá ser autorizado.
Contrato de R$ 312,8 milhões formalizado, mas obras suspensas
Em julho, a Infra S.A. e o Consórcio ACA Transnordestina formalizaram contrato de R$ 312,8 milhões para o lote SPS 04, que cobre 73,32 km entre Custódia e Arcoverde. O instrumento contempla a elaboração do projeto executivo de engenharia e a execução de serviços de infraestrutura remanescentes, inclui obras de arte especiais e tem vigência de 57 meses. Segundo a decisão do TCU, porém, apenas a elaboração dos projetos executivos foi autorizada até o momento.
Paralelamente, está em fase de análise as propostas da licitação RLE, Edital nº 002/2026, para a contratação de empresa que elaborará estudos de viabilidade técnica, econômico-financeira, ambiental e jurídica do trecho. O trecho da malha ferroviária é classificado como “brownfield”, ou seja, empreendimento que já possui intervenções realizadas e demanda estruturação para futura concessão.
A área de influência dos terminais de Salgueiro e Suape concentra mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) e do Valor Adicionado Bruto (VAB) do Nordeste, segundo o estudo da Sudene.






